Educação Popular



Apresentação
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 5º  MOVA 27

Campanhas


Apresentação l CEAA l CNER l SIRENA l MNEA

Entre 1947 e final dos anos de 1950, o governo federal lançou várias campanhas visando à extensão do então ensino primário de quatro anos para a população mais pobre que não tinha tido acesso a ele na “idade apropriada”: Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos (CEAA), Campanha Nacional de Educação Rural (CNER) e, posteriormente, Mobilização Nacional de Erradicação do Analfabetismo (MNEA). Simultaneamente a essa última, foi organizado também o Sistema Rádio Educativo Nacional (SIRENA).

  Prof. Osmar Fávero - Universidade Federal Fluminense - UFF

CEAA

A implantação da rede de escolas supletivas feita pela Campanha Nacional de Educação de Adolescentes e Adultos (CNAA) foi acompanhada de uma série de providências com a finalidade de garantir um mínimo de qualidade dos trabalhos docentes. Entre elas: um currículo especial, cartilhas, jornais, folhetos e textos de leitura diversos elaborados pelo Setor de Orientação Pedagógica do Serviço de Educação de Adultos do Ministério da Educação e Saúde (MES), distribuídos em larga escala por todo o país. Entre eles sobressaia o Primeiro livro de leitura – Ler; até 1958 consta terem sido impressas dez edições, totalizando 4.450 mil exemplares. Organizado por uma comissão composta pelas professoras Dulcie Kanitz Vicente Viana, Helena Maudron e Orminda Isabel Marques, esse Primeiro livro  resultou de estudos realizados no Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, de 1942 a 1945, sobre o vocabulário de adultos e baseou-se no Sistema Laubach. Missionário protestante norte-americano, Laubach criou um método de alfabetização de adultos inicialmente para as Filipinas, em 1915, posteriormente estendido para vários países da América. Esteve no Brasil em meados dos anos de 1940, desenvolvendo palestras em Recife, divulgando seu método basicamente fonético. Esta cartilha diferia dos materiais até então utilizados, sobretudo porque elaborados para o público infantil.

Foi também produzido pelo Serviço de Educação de Adultos do MES um Segundo livro de leitura - Saber, com a finalidade de possibilitar os estudos iniciados com o Primeiro livro. Apresenta 27 lições, constituídas de dissertações simples, dedicadas ao desenvolvimento da aprendizagem da leitura e à divulgação de noções elementares nos campos da saúde, da higiene, da alimentação, das técnicas de trabalho cooperativo e da educação moral e cívica. Esse material foi retomado, no início dos anos de 1960, pela Cruzada ABC – Ação Básica Cristã, e é ainda utilizada atualmente, com adaptações, pela ALFALIT – Alfabetização através da Literatura.

A CNAA produziu e distribuiu largamente muitas outras publicações. Conseguiu-se obter no Espaço Cultural Anísio Teixeira (antiga Biblioteca do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais) e foram  reproduzidos integralmente os livros de leitura Ler e Saber, o Caderno de Aritmética e o Alfabeto de Saúde, assim como os livros de orientação para  professores: Guia de Leitura, Guia de Linguagem, Guia de Matemática e Guia de Alimentação.   Consta ainda ter havido outras publicações sobre temas relacionados à educação sanitária e aos trabalhos agrícolas: Malária, Tuberculose, Maria Pernilonga, Tirar leite com ciência, Uma das melhores frutas do mundo, Lindaura vai fazer manteiga, O grão de ouro, Guerra à saúva, Terra cansada etc.  (Cf. Celso de Rui Beisiegel.  Estado e educação popular. 1. ed., São Paulo: Pioneira, 1974, p. 94-96; 2. ed.,  Brasília: Plano, 2004, p. 104-105 e notas 15 a 17 na p. 140-141).  Encontra-se ainda no Espaço Cultural Anísio Teixeira (antiga Biblioteca do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais), uma série de publicações do Centro de Iniciação Profissional da CNAA, que provavelmente funcionou no Rio de Janeiro: Bordados, Golas e punhos, Metal, Aproveitamento de fibras naturais, Trabalhos em couro, Trabalhos em madeira, Noções básicas de tapeçaria.

 

O Problema da Educação de Adultos

Instruções aos professores de ensino supletivo

O problema da Educação de Adultos

Instrução aos professores
do ensino supletivo

(10 mb)

Guia de Leitura

Primeiro Guia de Leitura

Guia de Leitura

Primeiro Guia de Leitura

Guia de Linguagem

SABER - Segundo Guia de Leitura

Guia de Linguagem

SABER - Segundo
Guia de Leitura

(20 mb)

Guia de Matemática

Aritmética

Guia de Matemática

Aritmética

Guia de Alimentação

Alfa-saúde

Guia de Alimentação

Alfa-saúde

Duas histórias do Velho Deca

Deca, o pescador vitorioso

Maranduba

Cuidemos das crianças

 

 

 

 

 

Campanhas

A Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos (CEAA) foi conseqüência direta da regulamentação do Fundo Nacional do Ensino Primário, em 1945, e da elaboração do Plano de Ensino Supletivo para Adolescentes e Adultos Analfabetos, aprovado pelo Ministério de Educação e Saúde para 1947. Para a execução desse plano foram previstas: instalação do Serviço Nacional de Educação de Adultos, no Departamento Nacional de Educação; elaboração e aprovação de planos anuais subseqüentes de ensino supletivo; preparação e distribuição de cartilhas e textos de leituras para adultos; mobilização da opinião pública em favor da educação de adultos; e busca de integração, por parte do governo federal, das atividades dessa área de ensino que vinham sendo realizadas nos estados. Justificava-se sua ação pelo poder da educação na construção da sociedade desejada para o Brasil na época e perseguia objetivo bastante concreto: a ampliação das bases eleitorais, o que explica as metas basicamente quantitativas dos planos elaborados e a insistência na diminuição das taxas de analfabetismo, bastante altas no período.

Destaca-se na atuação da CEAA a implantação de classes de emergência na maioria dos municípios e a produção e distribuição de farto material didático, em especial a cartilha de alfabetização Ler, o livro de leitura Saber e o Manual de Aritmética, elaborados segundo Método Laubach, além de fascículos sobre higiene e saúde, técnicas agrícolas rudimentares etc.

Distinguem-se duas etapas de ação da CEAA: de 1947-1950, na qual foram realizadas suas maiores conquistas, na gestão de Lourenço Filho; e de 1950-1954, quando ainda foi mantido parte do impulso do período anterior, passando a ser reforçada pela Campanha Nacional de Educação Rural (CNER). Foi o primeiro grande movimento oficial de alfabetização de massa no Brasil, mas sua ação extensiva tornou-a bastante vulnerável, chegando mesmo a ser acusada de “fábrica de eleitores”. Impossibilitada de passar à ação intensiva e de profundidade, que requeria vultosos recursos e outros métodos, a CEAA entrou em declínio a partir de 1954.

A CNER nasceu em 1952, como fruto remoto do Seminário Interamericano de Educação de Adultos, realizado no Brasil em 1949, sob patrocínio da UNESCO e da OEA, e como fruto próximo de uma série de reuniões que aconteceram no Ministério de Educação e Saúde, congregando especialistas de várias áreas profissionais, no início de 1951, com o objetivo de debater o problema das populações rurais e fazer um balanço do que estava sendo realizado nesse setor.

Seus objetivos eram investigar e pesquisar as condições econômicas, sociais e culturais da vida do homem brasileiro no campo; preparar técnicos para atender às necessidades da educação de base ou fundamental; promover e estimular a cooperação das instituições e dos serviços educativos existentes no meio rural; concorrer para a elevação dos níveis econômicos das populações rurais por meio do emprego de técnicas avançadas de organização da produção agrícola e do trabalho; contribuir para o aperfeiçoamento dos padrões educativos, sanitários, assistenciais, cívicos e morais das populações rurais.

Estão reproduzidos dois documentos fundantes da CNER, ambos de 1953: o Relatório apresentado pelo diretor do Departamento Nacional de Educação ao Ministro de Educação e Saúde, expondo os motivos de sua criação, as técnicas de ação e tipos de projeto (centro de treinamento de líderes rurais, missões rurais, centro social rural e semanas educativas), assim como os princípios de sua administração, inclusive o sistema de acordos, e o treinamento de técnicos para o trabalho, e, em anexo o Regulamento aprovado pelo Ministro, em 9 de maio. Foram reproduzidos também a Revista da Campanha de Educação Rural ano 6 n. 8, 1º semestre de 1959, que contém o histórico da CNER, desde os primórdios de seu planejamento e sua estrutura de organização, em 1950, até o final de 1959; o relatório relativo à estruturação do Centro Regional de Educação de Base de Colatina (ES) e o livro sobre a experiência das Missões rurais de educação; a experiência de Itaperuna, organizado por José Irineu Cabral e publicado pelo Serviço de Informação Agrícola do Ministério da Agricultura, em 1952. Não foi localizado nenhum material didático especifico preparado para ser utilizado em suas ações. No entanto, muitas publicações da CEAA contemplavam temas abordados pela CNER e sabe-se da existência de cartazes usados nas campanhas de uso de filtros de água, instalação de fossas sanitárias, assim como folhetos instrutivos sobre gravidez, cuidados das mães no pós-parto e com os recém-nascidos etc.

Em 1957, foi criada pelo governo federal a Mobilização Nacional de Erradicação do Analfabetismo (MNEA). Em rejeição da proposta de campanhas massivas, constituiu-se numa ação tecnicamente planejada, com o objetivo de reestruturar o sistema de ensino fundamental para crianças, adolescentes, jovens e adultos. Seu lema era “secar as fontes do analfabetismo”, prevendo para tanto a regularização da oferta da escola primária de quatro anos e sua complementação em mais dois anos, como já havia sido experimentado na Escola Parque da Bahia. Para a alfabetização de jovens e adultos, mantinha as experiências das classes de emergência, com melhor preparação dos professores e apostava nas escolas radiofônicas. Foi implantada experimentalmente em Leopoldina (MG) e parcialmente estendida a Timbaúba (PE), Catalão (GO), Júlio de Castilhos (RS), Santarém (PA), Picuí (PB), Macaé (RJ), Benjamin Constant (AM), Guajaramirim (RO) e prevista para Caraguatatuba (SP). Partia de pesquisa básica sobre as condições socioeconômicas dos municípios e seu programa envolvia basicamente construção de escolas, treinamento de professores, elaboração de material didático específico. Essa campanha é muito pouco estudada; sobre ela dispõe-se apenas de um excelente relatório de seu coordenador, João Roberto Moreira: Uma experiência de educação popular: o projeto piloto de erradicação do analfabetismo do Ministério de Educação e Cultura, publicado pelo MEC, em 1960. Sabe-se que existe um museu em Leopoldina, sobre a experiência.

Ainda no final dos anos de 1950, sob liderança de João Ribas da Costa, organizou-se o Sistema Rádio Educativo Nacional (SIRENA), com emissões educativas gravadas por locutores da Rádio Nacional e distribuídas em discos de acetato às emissoras, muitas delas católicas, que se responsabilizavam pela implantação de escolas radiofônicas. No entanto, embora contadas aos milhares, essas escolas não tinham a recepção organizada, desconhecendo-se sua eficácia. Sabe-se também que os programas, pela sua linguagem bastante erudita, não atingiam a população a que se destinava. O SIRENA publicou a Radiocartilha, impressa em cores, mas considerado o material didático mais fraco do período.

Pela importância da temática relativa à radiodifusão educativa e às escolas radiofônicas, reproduzimos na íntegra o estudo Histórico do rádio educativo no Brasil (1922-1970), de autoria de José Silvério Baía Horta, publicado originalmente em Cadernos da PUC-Rio. Tópicos em Educação/Série Letras e Artes, n. 10, set. 1972, p. 73-123.

MNEA

Uma experiência de educação
resenha l texto integral
João Roberto Moreira

Plano Piloto de Erradicação
do Analfabetismo


 

 

 

 

Apresentação - Educação Popular

O Núcleo de Estudos e Documentação sobre Educação de Jovens e Adultos – NEDEJA, da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense – UFF, foi criado em meados de 2000 com o intuito de organizar o importante acervo documental sobre as campanhas de alfabetização e os movimentos de cultura e educação popular, organizado por seu coordenador, professor Osmar Fávero.

Esse acervo compreende projetos, programas e propostas de Educação de Jovens e Adultos – EJA, documentos instituidores de campanhas e movimentos, relatórios de experiências, depoimentos, entrevistas, livros, artigos, periódicos, teses, dissertações, monografias e, especialmente, material didático (cartilhas, livros de leitura, vídeos, fotos, slides, folhetos de cordel, entre outros). Muitos desses materiais são exemplares raros, originais ou únicos, recolhidos em arquivos particulares; vários documentos salvos do pouco apreço à preservação de nossa memória ou que sobreviveram à desestruturação dos movimentos populares ocorrida no país particularmente após o golpe militar de 1964.

O principal objetivo do NEDEJA, quando de sua criação, era catalogar o acervo disponível, organizar um banco de referencias sobre Educação Popular e Educação de Jovens e Adultos no Brasil, disponibilizando tal acervo para consulta dos estudiosos do tema, especialmente alunos dos cursos de graduação, especialização, mestrado e doutorado da UFF, bem como discentes, professores e pesquisadores de outras instituições.

No entanto, o acesso a essa documentação tornou-se restrito por não se dispor de pessoal para o atendimento regular aos alunos e aos interessados. Para facilitar a utilização do material catalogado foi organizado um DVD, que é a fonte deste espaço virtualizado.

Este espaço contém, na primeira fase, a parte mais importante da documentação das campanhas de alfabetização e dos movimentos de cultura e educação popular do período 1947-1966, principalmente o material didático, o histórico dos movimentos que produziram o referido material, resenhas de livros e indicação de ensaios e artigos que analisaram esses movimentos. Também foram incluídos arquivos de áudio e vídeo contendo músicas, entrevistas, fotografias, desenhos relativos às experiências abordadas.

O conjunto de documentos apresentados neste espaço foi reunido ao longo de 40 anos. Os documentos da Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos foi obtida ma Biblioteca Anísio Teixeira, que funciona na Universidade Federal do Rio de Janeiro e contém o acervo do antigo Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais, enriquecidos por matérias publicadas na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. A coleção de documentos do MEB foi guardada desde o início dos anos de 1960 e complementada no início dos anos 1980 num projeto financiado pelo CNPq. Dos outros movimentos do período de 1960-1964, parte da documentação também foi obtida diretamente junto a esses movimentos, quando do seu funcionamento, e complementada posteriormente com doações e achados. Esses achados correspondem a materiais escondidos em tetos de igrejas, fundo de caixas d´água etc. durante os anos negros da ditadura e descobertos casualmente muitos anos depois, alguns parcialmente deteriorados. As dissertações, teses e os livros produzidos sobre essas experiências também foram sistematicamente reunidos.

Apesar do esforço realizado ao longo de muitos anos, essa coleção não é completa; muitos materiais foram perdidos no desmonte dos movimentos imediatamente após o golpe militar de 1964, particularmente o material do CPC quando da invasão e incêndio criminoso da sede da UNE. Da mesma forma a coleção de diapositivos do sistema Paulo Freire utilizado na experiência de alfabetização de Angicos em 1962, embora bem conservada, não está completa. Por sua vez, os diapositivos do Plano Nacional de Alfabetização – PNA, de 1963-1964, está completa mas mal conservada, pois esteve guardada durante 30 anos, sem maiores cuidados, em uma geladeira. Para a apresentação atual foram tratados um a um, cuidadosamente, no Photoshop.

Para uma visão descritiva e analítica do conjunto das campanhas e movimentos dos movimentos de cultura popular e educação popular do período 1947-1966, assim como para apresentação e análise dos diversos movimentos, foram trabalhados praticamente todos os livros disponíveis, dos quais foram reproduzidas as capas das diversas edições e apresentam-se resenhas indicativas de sue conteúdo. Neste espaço os primeiros estão indicados como gerais e os segundos inseridos nas seções específicas de cada campanha ou movimento.

Para uma compreensão do período 1950-1960, em particular dos governos Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart, assim como os presidentes militares após 1964, há muitas obras disponíveis. Sugere-se como as mais acessíveis: Leôncio Basbaum. História Sincera da República. (São Paulo: Editora Alfa-Ômega, 1975-1976, particularmente v. 3, de 1930 a 1960, e v. 4, de 1961 a 1967; Coleção Ditadura de Elio Gaspari (São Paulo: Companhia das Letras, 2002 a 2004).

O DVD original com este material está sendo distribuído gratuitamente para universidades e organizações que trabalhem com esta temática. Este espaço deverá ser atualizado constantemente com novas análises, teses, artigos, comentários etc. Ao mesmo tempo, será reorganizado o acervo documental, compreendendo inclusive documentos não reproduzidos no DVD. Esse acervo continuará sediado no NEDEJA, para consulta de pesquisadores. Pretende-se ainda continuar a processar a documentação relativa às experiências de educação popular e educação de jovens e adultos de outros períodos. O próximo recorte abrangerá as iniciativas realizadas entre 1967 e 1990, que compreende a Cruzada ABC – Ação Básica Crista, o MOBRAL – Movimento Brasileiro de Alfabetização, iniciativas de alfabetização funcional patrocinadas pela UNESCO e da educação popular realizada pelos movimentos sociais e organizações da sociedade civil, em grande parte apoiada pela Igreja católica.

Leia mais!

Cultura Popular e Educaçao Popular

Osmar Fávero

Esquerda Católica no Brasil

Cândido Mendes

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Vanilda Paiva

A história da educação popular

6ª edição

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Carlos Brandão (org.)

 

CEPLAR - Campanha de Educação Popular da Paraíba


Apresentação I Documentos I Didáticos I Livros

Criada em 1962 por um grupo de jovens da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade da Paraíba, com apoio do governo estadual e da diocese local, foi um dos laboratórios do Sistema Paulo Freire, especialmente em Sapé e Muri, áreas de violentos conflitos entre trabalhadores rurais e latifundiários e intensa mobilização das “ligas camponesas”. A reação local e o golpe militar de 1964 a desmobilizaram de imediato, com prisão de seus dirigentes e confisco dos seus arquivos.
 

 Prof. Osmar Fávero - Universidade Federal Fluminense - UFF

Apresentação

A CEPLAR foi criada em 1962, por um grupo de jovens da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Paraíba pertencentes aos quadros da Juventude Universitária Católica, numa busca de ação motivada pelo momento político e pelas contradições do estado paraibano. Foi apoiada pelo governo estadual e pela diocese local. Seu primeiro trabalho foi junto ao Grupo Escolar Juarez Machado, na Ilha do Bispo. Além do sucesso da reestruturação desse grupo, com base em pesquisas feitas por setores da universidade, foram implementadas soluções concretas para problemas detectados com a colaboração da população: uma campanha de fossas e a reivindicação junto à fábrica de cimento local para instalação de filtros que evitassem a poeira excessiva. A oportunidade de alfabetizar um grupo de empregadas domésticas, nucleado pela Juventude Operária Católica, aproximou a CEPLAR de Paulo Freire, no início da definição do Sistema de Alfabetização de Adultos, que estava sendo feita no Serviço de Extensão Cultural (SEC), da então Universidade do Recife. Esse fato tornou a CEPLAR um dos primeiros laboratórios da aplicação desse sistema, mesmo antes da experiência de Angicos, no Rio Grande do Norte.

Em 1963, numa segunda fase de sua atuação, quando já contava com forte equipe dedicada aos trabalhos de alfabetização de adultos e um dinâmico núcleo de cultura popular, incorporou-se ao Plano Nacional de Alfabetização, obtendo apoio financeiro do Ministério da Educação, expandindo sua atuação para todo o estado da Paraíba. Também firmou sua linha política pela colaboração estreita com as “ligas camponesas” de Sapé e Muri, região de violentos conflitos entre trabalhadores rurais e latifundiários. A radicalização local e o golpe militar de 31 de março de 1964 desmobilizaram de imediato a CEPLAR, aprisionando seus dirigentes e confiscando todo seu material.

 

Didáticos

Superando as críticas radicais feitas por Paulo Freire sobre o uso de cartilhas para a alfabetização, a CEPLAR criou inovadoramente, em 1963, um livro de leituras para recém-alfabetizados, chamado Força e Trabalho. Este livro, elogiado por Jomard Muniz de Brito, um dos integrantes da SEC, não chegou a ser impresso, constituído-se em um dos poucos materiais da CEPLAR salvos do confisco militar, na forma mimeografada.

 
Força e Trabalho

Livros

História de um sonho coletivo
apresentação l livro na íntegra

Centro Popular de Cultura - CPC


Apresentação I Documentos I Didáticos I Divulgação I Áudio I Teatro I Livros I Filmes

Criado em 1962 por um grupo de intelectuais ligado à UNE – União Nacional de Estudantes, tinha como propósito a “arte revolucionária”, colocando-se ao lado do povo. Sua produção centrou-se na música e na poesia, no cinema e no teatro. Extinto violentamente nos primeiros dias de abril de 1964, foi um dos movimentos mais inovadores do período, e por isso mesmo o mais discutido.

 

 Prof. Osmar Fávero - Universidade Federal Fluminense - UFF

Apresentação

O CPC nasceu em 1961 na UNE – União Nacional de Estudantes, por proposta de integrantes do Teatro de Arena, que vieram ao Rio de Janeiro trazer a peça Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri. A proposta teórica original foi escrita por Carlos Estevam, primeiro presidente do CPC e publicada no livro A questão da cultura popular, do qual se destaca o Manifesto do Centro Popular de Cultura. Essa concepção foi discutida a seguir por Ferreira Gullar, segundo presidente do CPC, em A cultura popular posta em questão. As origens do CPC foram descritas e analisadas por Manoel Tosta Berlink no relatório de pesquisa Um projeto para a cultura brasileira nos anos 60: análise sociológica do Centro Popular de Cultura.

Normalmente a referência é feita ao CPC da UNE sediado no Rio de Janeiro, que teve maior liderança e projeção. Mas, por meio da UNE/Volante, realizada em 1962/1963, foram criados CPCs estaduais, alguns nas próprias uniões estaduais de estudantes excepcionalmente, até em faculdades. Várias dessas experiências estão indicadas nas entrevistas publicadas por Jalusa Barcellos em CPC da UNE; uma história de paixão e consciência.

Pela sua importância, a maioria dos textos disponíveis do CPC ou sobre o CPC está transcrita ou pelo menos referida no módulo Documentos. Por ser renovador e radical, o CPC é um dos movimentos mais lembrado e o mais criticado, especialmente por Marilena Chauí, em “Considerações sobre alguns Cadernos do Povo Brasileiro e o Manifesto do CPC”, publicado no livro Seminários sobre o nacional e o popular na cultura brasileira,  e por Heloísa Buarque de Hollanda em  “O engajamento cepecista”, no livro Impressões de viagem: CPC vanguarda e desbunde, 1960/1979. Em Livros, encontram-se várias resenhas e alguns textos integrais.

O CPC da UNE e a maioria dos CPCs criados nos diversos estados e faculdades definem-se expressamente como de cultura popular.  Nesse sentido, a designação  “material didático” para sua produção – música, peças de teatro, filmes, folheto de cordel, poesia – é utilizada em sentido lato. No entanto, em alguns estados, como em Goiás e Minas Gerais, as equipes trabalharam com alfabetização, produzindo cartilhas e livros de leitura.  No módulo Didáticos, foram inseridos alguns materiais impressos: o cordel Bumba-meu-boi,  de Capinam, representado pelo CPC/Bahia; o Livro de Leitura para Adultos,  do CPC/Goiás e a cartilha Uma família operária, do CPC/Belo Horizonte, assim as poesias divulgadas no Violão de Rua. Essa publicação fazia parte da série Cadernos do Povo, da Editora Civilização Brasileira, cujos exemplares, segundo Ênio da Silveira, seu diretor, eram vendidos pelo CPC para financiar suas atividades.

Os textos da peça Brasil, versão brasileira, de Oduvaldo Viana Filho e do Auto dos 99%, que introduzia, no período, a discussão sobre a reforma universitária, podem ser encontrados no módulo Teatro. Colocou-se nele também a parte inicial da reencenação do Auto dos 99%,  feita durante a 43ª Reunião Anual da SBPC, em julho de 1991,  no Teatro de Arena da UFRJ, na Praia Vermelha,  mesmo local em que foi apresentado pela primeira vez, em 1962. Nesta parte inicial, vários artistas que foram do CPC o apresentaram e homenagearam os colegas falecidos.

Em Áudio, foram copiadas as cinco músicas do long-play compacto O Povo Canta, produzido pelo CPC da UNE em 1962: Canção do subdesenvolvido, de Carlos Lyra e Francisco de Assis; João da Silva ou o falso nacionalista, de Billy Blanco; Canção do trilhãozinho, Carlos Lyra e Francisco de Assis; Grileiro vem  pedra vai, de Raphael de Carvalho; e Zé da Silva é um homem livre, de Geni Marcondes e Augusto Boal. Reproduziu-se também o álbum que envolve o disquinho: capa, apresentação e letras das músicas.

Quanto à produção cinematográfica, o único filme produzido pelo CPC da UNE foi Cinco vezes favela, considerado um dos marcos do Cinema Novo brasileiro, inserido no módulo Filmes.  Compreende cinco episódios: Um favelado, de Marcos Farias; Zé da Cachorra, de Miguel Borges; Couro de Gato, de Joaquim Pedro; Escola de samba, alegria de viver, de  Carlos Diegues; Pedreira de São Diogo, de Leon Hirszman. Por estar mais próximo da temática da educação popular no período, no entanto, inseriu-se, neste módulo, as cenas iniciais do filme Cabra marcada para morrer, de Eduardo Coutinho. A produção desse filme teve início em fevereiro de 1964, como um trabalho conjunto do CPC e do MCP, explorando o assassinato de João Pedro Teixeira, líder da Liga Camponesa de Sapé, em 1962,  mas foi interrompida imediatamente após o golpe militar de 1964. O material revelado foi descoberto por acaso vinte anos depois e a filmagem foi retomada, tendo como base longo depoimento de Elizabeth Teixeira, viúva de João Pedro e depoimentos complementares de seus filhos. Lançado em 1984, é considerado um dos melhores documentários sobre a histórica brasileira recente.

Os CPCs foram um celeiro de jovens artistas que se projetaram no cenário artístico e cultural brasileiro, entre eles: como ideólogos, Carlos Estevam Martins, Gianfrancesco Guarnieri, Luís Werneck Vianna, Ferreira Gullar; no teatro e na televisão, Oduvaldo Vianna Filho (Vianinha), Armando Costa, Capinam, Cecil Thiré, Carlos Miranda, Carlos Vereza, Francisco de Assis, Chico Nelson, Denoy de Oliveira, Fernando Peixoto, Flávio Migliaccio, João das Neves, João Siqueira, Joel Barcelos, Nelson Xavier, Paulo Pontes, Pichin Plá; no cinema, Cacá Diegues, Eduardo Coutinho, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Maurice Capovilla, Marcos Farias, Miguel Borges; na poesia, Affonso Romano de Sant’Anna, Chico Nelson, Ferreira Gullar, Moacyr Félix; na música: Carlos Lyra, Sérgio Ricardo. Entre todos, uma das pessoas que mais se dedicou ao CPC foi Vianinha, como se pode comprovar pelo livro Vianinha, cúmplice da paixão, escrito por Denis de Moraes. 

Após o desmonte do CPC da UNE, parte do grupo criou o Teatro Opinião, no Rio de Janeiro, cujas primeiras realizações foram o musical Opinião, que estreou em dezembro de 1964, com texto de Armando Costa, Oduvaldo Vianna Filho, Paulo Pontes e músicas de Zé Keti e João do Vale, com a participação de Nara Leão, Zé Keti e João do Vale; e Liberdade, liberdade, de Flávio Rangel e Millôr Fernandes, que estreou em abril de1965, com Paulo Autran.

Para entender o CPC, é importante entender a mobilização e a participação dos estudantes na política nacional no período, especialmente por meio da UNE. Dispõe-se de bons livros para isto, entre eles: Maria Alice Foracchi M. O estudante e a transformação da sociedade brasileira (São Paulo: Nacional, 1965); João Roberto Martins Filho. Movimento estudantil e ditadura militar, 1964-1968 (Campinas: Papirus, 1987); José Artur Poerner. O poder jovem: história da participação política dos estudantes brasileiros (2ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979); José Luiz Sanfelice. Movimento estudantil: a UNE na resistência ao golpe de 64 (São Paulo: Cortez e Autores Associados, 1986); Maria de Lourdes de Albuquerque Fávero. A UNE em tempos de autoritarismo (Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 1995); Nilton Santos (org.). História da UNE; depoimentos de ex-dirigentes (São Paulo: Livramento, 1980); e a brochura UNE: Luta atual sobre a reforma universitária (Cadernos de Coordenação Universitária, dez. 1963).

Divulgação

Matéria no Jornal
Metropolitano.
Entrevista com Ferreira Gullar Revisitando o CPC
Affonso Romano de Sant´Anna.

Entrevista com Ferreira Gullar

Filmes

Cinco Vezes Favela Maioria Absoluta
Leon Hirszman
Cabra Marcado para Morrer
Eduardo Coutinho

Cabra Marcado Para Morrer

O projeto original deste filme consistia em uma produção conjunta entre o CPC da UNE e o MCP de Recife, acordada em fins de 1963. Em fevereiro de 1964 teve iniciou a filmagem, que contaria a história política do líder da Liga Camponesa de Sapé (Paraíba), João Pedro Teixeira, assassinado em 1962. No entanto, imediatamente após o golpe militar de 31 de março de 1964, as forças militares cercaram a locação no Engenho da Galileia, interromperam a filmagem e apreenderam os equipamentos.

Dezessete anos depois, o diretor Eduardo Coutinho reencontrou a viúva de João Pedro, Elisabeth Teixeira - que até então vivia na clandestinidade - e vários dos camponeses que haviam atuado no filme antes de ser brutalmente interrompido, e completou sua produção, focando-o agora em entrevistas com Elizabeth Teixeira e seus filhos. Assista os sete minutos iniciais do filme, nos quais é contada esta história e explicitada sua relação com o CPC da UNE.

Ficha Técnica Título Original: Cabra Marcado Para Morrer
Gênero: documentário
Tempo de Duração: 119 min.
Ano de Lançamento (Brasil): 1964/84
Direção e roteiro: Eduardo Coutinho
Elenco: Elizabeth Teixeira; João Virgínio Silva; Moradores do Engenho Galiléia (PE).

Cinco Vezes Favela

Cinco vezes Favela, único filme produzido pelo CPC da UNE, considerado um dos marcos do Cinema Novo brasileiro. Compreende cinco episódios: Um favelado, de Marcos Farias; Zé da Cachorra, de Miguel Borges; Couro de Gato, de Joaquim Pedro; Escola de samba, alegria de viver, de Carlos Diegues; Pedreira de São Diogo, de Leon Hirszman.

Crônica de Estevão Garcia.

Filme disponível na íntegra:

Gênero: Drama
Diretor: Vários, vide Sinopse
Duração: 92 minutos
Ano de Lançamento: 1962
País de Origem: Brasil
Idioma do Áudio: Português

Maioria Absoluta

Filmado em som direto, o documentário retrata o cotidiano dos trabalhadores rurais analfabetos do Nordeste, que vivem na extrema miséria. Incapazes de escrever, são no entanto conscientes de sua condição e perfeitamente habilitados a propor as soluções que esperam para os seus problemas.

Curta-metragem, não ficção 16 min.
35 mm p&b.
Roteiro, direção e argumento Leon Hirszman

Parte I

Parte II

Créditos

Companhia produtora: Leon Hirszman Produções
Produção Executiva: Arnaldo Jabor
Coordenação de produção: David E. Neves
Direção: Leon Hirszman
Roteiro: Leon Hirszman
Co-roteiristas: Aron Abend, Luiz Carlos Saldanha e Arnaldo Jabor
Fotografia, câmara: Luiz Carlos Saldanha
Montagem: Nelson Pereira dos Santos
Assistência de montagem: Lygia Pape
Som direto: Arnaldo Jabor
Narração: Ferreira Gullar
Letreiros: Lygia Pape
Sincronização: Luiz Carlos Saldanha
Laboratório de Imagem: Líder (RJ)
Estúdio de som: Atlântida cinematográfica (RJ)

Prêmios

Viña Del Mar, Chile: 1965 melhor documentário
Oberhausen, Alemanha: 1966 prêmio Joris Ivens
Sestri Levante, Itália, 1966

Visite: http://www.leonhirszman.com.br

Livros

A questão da cultura popular – Carlos Estevam - CAPA Cultura Posta em Questão – Ferreira Gullar - CAPA
Carlos Estevam.
A questão da cultura popular.
livro l resenha
Ferreira Gullar.
Resenha: Cultura posta em questão.

CPC da UNE: uma história de paixão e consciência – Jalusa Barcellos - CAPA

Manoel Berlink.
O CPC da UNE: íntegra l resenha.
Dênis de Moraes.
Resenha: Vianinha, cúmplice da Paixão
Cultura e participação nos anos 60 – Heloísa B. Hollanda e Marcos Gonçalves
Heloísa Buarque de Hollanda.
Impressões de Viagem.
cap. 01 l resenha
Heloísa Buarque de Hollanda e
Marcos Gonçalves.

Resenha: Cultura e participação nos anos 60.
CPC da UNE: uma história de paixão e consciência – Jalusa Barcellos - CAPA CPC da UNE: uma história de paixão e consciência – Jalusa Barcellos - CAPA
Jalusa Barcellos.
Resenha: CPC da UNE - uma história
de paixão e consciência.
Marcelo Ridenti.
Resenha: Em busca do povo brasileiro - artistas da revolução, do CPC a era da TV.

 

Teatro

Folder do Auto dos 99% - CAPA Brasil, versão brasileira

Auto dos 99%
Texto (16 MB) l Vídeo

Brasil, versão brasileira
Oduvaldo Vianna Filho

 

Auto dos 99%

Áudio

Veja o álbum original digitalizado com a apresentação e as letras das músicas


             
 
01 - O Subdesenvolvido (Carlos Lyra / Francisco de Assis) Conjunto CPC Baixar (5.4 MB)
02 - Joao da Silva (Billy Blanco) com Nora Ney Baixar (3.1 MB)
03 - Cancao do Trilhaozinho (Carlos Lyra / Francisco de Assis) Baixar (2.2 MB)
04 - Grileiro Vem (Rafael de Carvalho) Baixar (2.3 MB)
05 - Zé da Silva (Geny Marcondes / Augusto Boal) Baixar (1.8 MB)

Créditos

Virtualização no Portal

Clarice Wilken de Pinho
Elisa Motta Moreira de Souza
João Felipe de Souza

Coordenação: Osmar Fávero

Ficha técnica do DVD

Assistente de pesquisa e produção: Ana Karina Brenner
Bolsista de Iniciação Científica: Elisa Motta Moreira de Souza
Recuperação de slides: João Fávero
Produção gráfica: DS|One
Recuperação de áudio: Ricardo Calafate
Coordenação do projeto: Osmar Fávero
Agradecimento: Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal Fluminense

Agradecemos pela cessão do uso de imagens, músicas e textos: Abelardo da Hora, Carlos Lyra e Francisco de Assis, Xico de Assis, Eduardo Coutinho, Francisco Brennand, Moacyr de Góes, Vera de Paula, Willington Germano e José Silvério Baía Horta.

Fonte das fotos reproduzidas: MCP – Memorial; Sistema Paulo Freire – 40 Horas de esperança de Calazans Fernandes & Antonia Terra; De pé no chão – De pé no Chão Também se Aprende a Ler de Moacyr de Góes; MEB – arquivo pessoal de Osmar Favero.

Produção do NEDEJA – Núcleo de Estudos e Documentação de Educação de Jovens e Adultos

De Pé no Chão Também se Aprende a Ler


Apresentação I Fotos I Documentos I Material Didático I Vídeos I Livros 

A campanha foi criada em Natal em fevereiro de 1961, sendo prefeito Djalma Maranhão e Moacyr de Góes secretário de educação. Implantou o ensino primário para crianças nos bairros pobres, em escolas de chão batido, cobertas de palha e metodologia inovadora. Valorizou as festas, músicas e danças populares e instalou bibliotecas populares, praças de cultura, museus de arte popular. Ampliou-se com a alfabetização de adultos pelo Sistema Paulo Freire e pela campanha De pé no chão também se aprende uma profissão.

 Prof. Osmar Fávero - Universidade Federal Fluminense - UFF

Apresentação

A Campanha “De pé no chão também se aprender a ler“ foi implantada em Natal, capital do Rio Grande do Norte, a partir de fevereiro de 1961, na gestão de Djalma Maranhão como prefeito da cidade, e foi brusca e brutalmente interrompido nos primeiros dias de abril de 1964, logo após o golpe militar. A designação “campanha” nada tem em comum com as experiências anteriores de alfabetização e educação de adolescentes e adultos desenvolvidas anteriormente pelo Ministério da Educação e Saúde.

Teve início com a implantação do então ensino primário de quatro anos, para crianças dos bairros pobres, em escolas de chão batido e cobertas de palha, como eram as moradias das famílias desses bairros. Da mesma forma que ocorreu no MCP – Movimento de Cultura Popular, criado na mesma época por Miguel Arraes quando prefeito do Recife, a implantação dessas escolinhas atendeu às necessidades e aspirações das camadas populares e contou com intensa participação das mesmas. Pela ideologia nacionalista que a inspirava, criou efetivos instrumentos para oferecer uma educação de qualidade, pelo cuidadoso planejamento didático, esmerada preparação e acompanhamento das “professorinhas”. Essas ações foram ampliadas com a instalação de bibliotecas populares, praças de cultura, museus de arte popular e pela intensa valorização das festas, músicas e danças populares. Foram ainda complementadas com a alfabetização de adultos, usando para isto uma adaptação do Livro de Leitura para Adultos do MCP, e com a Campanha “De pé no chão se aprende uma profissão”, em 1963, que oferecia cursos de sapataria, corte e costura, alfaiataria, encadernação, barbearia, entre outros. Foi uma das experiências mais importantes do início dos anos de 1960, sobretudo enquanto formatação de um novo modo de oferecer o ensino, desde a estrutura física das escolas, sua programação de aulas e atividades e as inovações metodológicas introduzidas.

Dispõe-se de três documentos da Campanha: o relatório Cultura popular e Pé no chão, apresentado pela Prefeitura de Natal/Secretaria de Educação no 1º Encontro Nacional de Alfabetização e Cultura Popular (Recife, set. 1963), o Livro de leitura para adultos e um vídeo. Existem três livros sobre ela: De pé no chão também se aprende a ler (1961-1964); uma escola democrática, escrito por Moacyr de Góes, que foi secretário municipal de educação no período e personagem emblemático da Campanha; Lendo e aprendendo; a Campanha De Pé no Chão, de José Willington Germano, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte; e Memórias da Campanha De pé no chão também se aprende a ler; reflexões sobre a prática pedagógica de ontem e de hoje, de Margarida de Jesus Cortez, que foi coordenadora pedagógica da campanha. Dispõe-se ainda de fotos e duas entrevistas de Moacyr de Góes, uma publicada no periódico Educação em Questão, da Universidade do Rio Grande do Norte, outra concedida ao programa Salto para o Futuro e levada ao ar pela TVE, em agosto de 2009.

Livros

Íntegra: De Pé no Chão
também se Aprende a Ler

Moacyr de Góes

Resenha: De Pé no Chão
também se Aprende a Ler

2ª edição


Lendo e Aprendendo: Resenha l Livro

José Willington Germano

 


Resenha: Memória da Campanha
“De pé no chão também
se aprende a ler”

Margarida de Jesus Cortez

 

Material Didático

Livro de Leitura

Vídeos

Documentário da Campanha "De Pé No Chão Também Se Aprende a Ler" desenvolvida pela Prefeitura Municipal de Natal, estado do Rio Grande do Norte - Brasil, no período compreendido entre fevereiro de 1961 e março de 1964. Arquivo da Cinemateca do Museu de Arte Moderna - Rio de Janeiro / Direção: Heins Forthmann 09min.37seg.

Baixar o vídeo  (98 mb)

Entrevista com o educador Moacyr de Goés

Movimento de Cultura Popular - MCP


Apresentação I Fotos I Documentos I Didáticos I Divulgação I Livros I Depoimentos I Jornais I Teatro 

O MCP foi criado em 1961, por um grupo de intelectuais e artistas pernambucanos, na primeira gestão de Miguel Arraes como prefeito de Recife. Assumiu inovadoramente o conceito de cultura popular como chave para o trabalho com a população pobre, por meio de escolas para crianças, alfabetização de adultos, praças e núcleos de cultura. Revitalizou as festas folclóricas e teve expressiva atuação no teatro e cinema. Seu Livro de Leitura para Adultos renovou radicalmente o material didático da época. Sediou a primeira experiência do Sistema Paulo Freire, no Centro Dona Olegarinha, em 1962, e o I Encontro Nacional de Alfabetização e Cultura Popular, promovido pelo MEC, em 1963.
 

 Prof. Osmar Fávero - Universidade Federal Fluminense - UFF

Apresentação

O MCP foi o primeiro movimento de cultura popular criado nos anos de 1960. Após sua posse como prefeito do Recife, eleito por uma coligação de partidos de oposição aos governos anteriores, Miguel Arraes reuniu um grupo de intelectuais “progressistas”, comunistas e católicos, propondo uma ação estratégica nas áreas de educação e de cultura. Desse encontro resultou a incorporação da experiência anterior de praças de cultura, promovida por Abelardo da Hora, sob patrocínio da própria prefeitura, em um projeto mais amplo. Assumiu a coordenação desse movimento Germano Coelho, que havia chegado há pouco tempo da Europa, onde conheceu várias experiências, em particular a do movimento Peuple et Culture. Anita Paes Barreto encarregou-se da implantação de escolas primárias para crianças e adolescentes dos bairros não atendidos pela rede municipal, o que foi feito com a colaboração de várias entidades e parceria entre a prefeitura e a população interessada. Definiu-se um projeto de escolas radiofônicas para jovens e adultos e começou-se a trabalhar intensamente em várias áreas da cultura, valorizando o artesanato local, promovendo a realização das festas populares (São João, Reisado etc.), festivais de cinema e apresentação de autos e peças teatrais originais. Foram organizados também clubes de leitura e centros de cultura, além de exposições permanentes de arte e artesanato popular.

O MCP serviu de modelo e exemplo para muitos outros movimentos de cultura e educação popular do início dos anos de 1960. O Livro de leitura para adultos, elaborado por Josina Maria Lopes de Godoy e Norma Porto Carreiro Coelho e impresso em 1962, inovou radicalmente o material didático para alfabetizandos e recém-alfabetizados, tendo sido adaptado por vários outros movimentos, dentre eles De pé no chão também se aprende a ler, Centro de Cultura Popular de Goiás e a Campanha de Alfabetização da UNE.


Apesar do imediato e violento encerramento de suas atividades, após o golpe militar de 1964, conseguiu-se reunir significativa amostra do material produzido pelo MCP e sobre o MCP, além do Livro de leitura para adultos, já citado: Estatutos; Projeto de educação pelo rádio e relatório de instalação de escolas radiofônicas, de Giselda Fonseca; Projeto de meios informais de educação, de Paulo Rosas; Plano de ação para 1963, apresentado ao MEC e no I Encontro Nacional de Alfabetização e Cultura Popular, realizado no Recife, em 1963; monografia de conclusão no Curso de Serviço Social de Zaira Ary, sobre o Centro de Cultura Dona Olegarinha, onde aconteceu a primeira experiência do Sistema de Alfabetização Paulo Freire, que traz em anexo Projeto de educação de adultos, elaborado pelo mesmo; texto da peça Incelença, de Luiz Marinho; folheto de cordel A voz do alfabetismo, de João José da Silva, que contém o Hino do MCP. De singular importância é o álbum de desenhos Meninos do Recife, de Abelardo da Hora, usado como cartão de visita do movimento.


Foram reunidos também praticamente todos os depoimentos e textos de entrevistas disponíveis sobre o MCP, folders dos muitos eventos realizados, além de fotos e recortes de jornais do período, em especial sobre as escolas para crianças e adolescentes organizadas pelo Movimento.

 

Divulgação

Aderradeira Ceia Aderradeira Ceia, Programa
A derradeira ceia

A derradeira ceia - programa

Camaleão Alface Julgamento em Novo Sol
Camaleão Alface

Julgamento em Novo Sol

Clube da leitura, Folheto Propaganda
Festa de Natal em Recife
Clube da leitura

Festa de Natal em Recife

Festa de São João
1º Festival de Teatro do Recife
Festa de São João

1º Festival de Teatro do Recife

1º Festival de Cinema do Recife
2º Festival de Cinema do Recife
1º Festival de Cinema do Recife

2º Festival de Cinema do Recife

2º Semana Estudantil
2º Semana Estudantil de Cultura Popular
2ª Semana Estudantil

2ª Semana Estudantil
de Cultura Popular


Imagem ampliada
Bernardo Dimenstain, 1963
(Doado pelo autor)
Imagem ampliada
Adão Pinheiro, 1963
(Doado por Bernardo Dimenstain)

Fonte das imagens: Letícia Rameh Barbosa. Movimento de Cultura Popular em Pernambuco: evolução e impactos na sociedade. Tese de doutorado em educação, defendida na Universidade Federal da Paraíba em 2007, p.128.


Jornais

Plano Municipal de ensino foi
apresentado ontem ao prefeito

Diário de Pernambuco, 31.01.1960, p. 13

Prefeito inaugurará 11 escolas e
fará 10 discursos amanhã

Diário de Pernambuco, 26.04.1960, p. 3

Sociedade civil e o Movimento de
Cultura Popular: escolas

Diário de Pernambuco, 26.04.1960, p. 5
Prefeitura inaugurou as
dez primeiras escolas...

Diário de Pernambuco, 03.05.1960, p. 10
MCP com ajuda da
Prefeitura: 20 escolas...

Diário de Pernambuco, 27.05.1960, p. 8
Prefeitura inaugurará mais vinte
escolas no mês corrente

Diário de Pernambuco, 01.06.1960, p. 3
Inauguradas 4 bandinhas do
Mov. de Cultura Popular

Diário de Pernambuco, 18.10.1960, p. 5
Cartilhas e cadernos para os alunos
do Movimento de Cultura

Diário de Pernambuco, 25.10.1960, p. 9
Caderno C - Jornal do Commercio, 10.05.1997
Caderno C - Jornal do Comércio
10/05/1997


Livros

Movimento de Cultura Popular:
impactos na sociedade pernambucana
Letícia Rameh Barbosa

Movimento de Cultura Popular
Memorial

MCP - História do Movimento de
Cultura Popular 
Germano Coelho 
Capa l Resenha

Capa l Ficha de leitura

Capa l Resenha


Teatro

A Incelença
(36 mb)

Movimento de Educação de Base - MEB


Escola do Engenho Vermelho - visita de supervisão na hora da aula em 08.06.1966

Apresentação I Fotos I Documentos I Didáticos I Livros

Criado pela Igreja Católica em 1961, com apoio do Governo Federal, propunha-se a desenvolver programa de alfabetização e educação de base, por meio de escolas radiofônicas, a partir de emissoras católicas. Após dois anos de atuação reformulou radicalmente seus objetivos e seus métodos de ação, aliando-se a outros movimentos de cultura popular do período. Com interrupções e refluxos, o MEB existe até hoje, tentando fazer ressurgir seu modo de atuação original.

 Prof. Osmar Fávero - Universidade Federal Fluminense - UFF

 

Apresentação

O MEB foi criado em 1961 pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e apoiado pelo Governo Federal, mediante decreto presidencial e convênios com vários ministérios. Embora oficialmente separada do Estado, desde a proclamação da República, a Igreja Católica em muitos momentos foi sua aliada. Essa aliança foi forte no governo nacional-desenvolvimentista dos anos 1950, por iniciativa dos bispos progressistas do Nordeste brasileiro. Com elevados índices de mortalidade infantil, desnutrição e analfabetismo, na conjuntura da Guerra Fria, essa região era considerada “barril de pólvora”, temendo-se que nela se repetisse a Revolução Cubana.

O MEB tinha como objetivo inicial desenvolver um programa de educação de base, conforme definida pela Unesco, por meio de milhares de escolas radiofônicas, instaladas a partir de emissoras católicas. Após dois anos de funcionamento reviu esse objetivo e, alinhando-se aos outros movimentos de cultura popular, passou a entender a educação de base como processo de “conscientização” das camadas populares, para a valorização plena do homem e consciência crítica da realidade, visando sua transformação. Mudou também seu modo de atuação e o conteúdo de suas aulas radiofônicas, conforme retratado no Conjunto Didático Viver é Lutar para recém-alfabetizados que, apreendido por forças da direita, foi pedra de toque da repressão após o golpe militar de 1964.

Por ser ligado à Igreja Católica, foi o único movimento de educação popular que sobreviveu ao golpe. Apesar do estrangulamento provocado pela suspensão do apoio governamental, reviu seu modo de atuação, particularmente no que dizia respeito ao sistema radioeducativo. Nesse esforço, preparou o Programa para as escolas radiofônicas em 1965, com os respectivos manuais para os professores e textos de fundamentação, assim como o Conjunto Didático Mutirão (livros 1 e 2) e o Mutirão pra Saúde. Ao mesmo tempo, elaborou estudo específico sobre escolas radiofônicas. Simultaneamente, o MEB Goiás elaborou o material didático Benedito e Jovelina, inspirado no sistema de alfabetização de Paulo Freire.

No mesmo período, a partir das experiências realizadas em Goiás, nos “encontros” com a população, e no Maranhão, com o treinamento de líderes para o sindicalismo rural, e valendo-se do referencial teórico que fundamentava a ação de agências de desenvolvimento francesas no Senegal e no Marrocos, sistematizou o projeto de animação popular. A animação era uma forma de ação direta com as comunidades rurais, tendo em vista a crítica da situação por elas vivida e a superação de seus problemas imediatos, numa concepção de desenvolvimento integrado. Essa perspectiva permitiu-lhe original prática de participação popular, interrompida pelo endurecimento da ditadura, após 1968.

Todos os livros e documentos apresentados neste módulo referem-se aos anos 1961-1967, considerado “período áureo” do Movimento. Para uma informação mais detalhada ver MEB Histórico – Osmar Fávero.

Didáticos

Em decorrência da apreensão do livro de leitura Viver é lutar e estando mantida a necessidade de dispor de material didático próprio, o MEB decidiu preparar outro conjunto didático, novamente para atender com prioridade o Nordeste. Esse conjunto foi designado Mutirão e sua elaboração foi antecedida pela montagem do Programa 1965 para as escolas radiofônicas, no qual estavam indicadas atividades relativas ao trabalho agrícola (preparo do terreno, plantio, colheita e venda), as operações e sistemas de trabalho referentes a cada uma dessas atividades e o programa a ser desenvolvido (objetivos, atitudes motivadas pelos textos das lições, palavras-chave para a alfabetização e seus desdobramentos, conteúdos de matemática e relativos à promoção humana e à educação sanitária.

O conjunto didático compreendia o Mutirão 1, livro de alfabetização de adultos; o Mutirão II, livro de leitura para adultos, com o encarte Mutirão pra Saúde. Os dois últimos foram ilustrados por Ziraldo com desenhos a bico de pena, reproduzindo os traços dos bonecos de Vitalino. Foi preparado também um folheto com Instruções para aplicação dos livros de leitura Mutirão I e Mutirão II. Todos esses textos foram publicados em 1965 e no mesmo ano foi redigido o documento Escolas radiofônicas do MEB: notas sobre seus objetivos, sua programação e sobre o desenvolvimento dos alunos, publicado no início de 1966.

Os livros de leitura foram muito criticados, por terem substituído o forte conceito de conscientização pelo de cooperação, traduzido pela palavra mutirão. Embora ainda guarde alguma semelhança com a concepção do Viver é lutar, sofreram evidente autocensura, no que diz respeito à linguagem e ao conteúdo político. Resguardando-se a importância e o significado ímpar do Viver é Lutar, esse segundo conjunto didático, – principalmente pelo Programa 1965, que propõe a globalização das aulas, pela redação mais cuidada e em linguagem mais acessível dos temas de fundamentação, e também pelas Notas sobre os objetivos, a programação e sobre o desenvolvimento das escolas radiofônicas – revela o grau de amadurecimento do MEB sobre seu principal instrumento de ação no período: o sistema radioeducativo. Ao mesmo tempo, a partir das experiências realizadas no Maranhão (treinamentos) e em Goiás (encontros), sistematizava um modo de ação direta nas comunidades, designada como animação popular.

Conjunto Didático - Viver é Lutar

Livro de Leitura

Justificação

Mensagem

Fundamentação

Dossiê: texto l resenha
 

Conjunto Didático - Mutirão

Mutirão 1º Livro

Mutirão 2º livro

Mutirão pra Saúde
Programa para as
Escolas Radiofônicas - 1965

 
Manual Escolas Radiofônicas
(23 mb)
Fundamentação das
escolas radiofônicas 
 

Conjunto Didático - Benedito e Juvelina

I
Livro de Alfabetização Instruções para aplicação
do Programa

 
 Programas de treinamentos de líderes rurais do Maranhão

Aula radiofônica MEB Recife

Programa radiofônico
“Realidade política/massificação”

 

Livros

Educar para transformar:
resenha íntegra
Luiz Eduardo W. Wanderley

Católicos Radicais no Brasil: resenha I íntegra
Emanuel de Kadt - 2ª edição

Uma pedagogia da participação popular:
resenha íntegra
Osmar Fávero
A travessia do popular na contramão da educação:
 resenha I íntegra 
José Pereira Peixoto Filho
Movimento da Educação de Base: 
resenha I íntegra
Maria C. B. Rapôso

Escolas Radiofônicas de Natal:
resenha I íntegra
Marlúcia Menezes de Paiva (org.)

     
     
     
     

 

Sistema Paulo Freire


Registro de um círculo de cultura no Gama/DF (1963) com a presença de Paulo Freire, onde um alfabetizando carregando o filho, verbaliza e mostra sua descoberta - TU JÁ LÊ - no uso dos "peda­ços" (sílabas) da palavra TIJOLO. 

Apresentação I Livros I Documentos I Fichas de Cultura I Experiência de Angicos I PNA I Experiência de Brasília

Após experimentos iniciais no MCP e na CEPLAR, Paulo Freire sistematizou a alfabetização de adultos no Serviço de Extensão Cultural da Universidade do Recife e, em 1963, realizou a experiência de Angicos, no Rio Grande do Norte. O sucesso dessa experiência, alfabetizando 300 pessoas em 40 horas, e a vitalidade dos movimentos sociais no período, especialmente estudantil, provocou a escalada do sistema em todo o país. Em fins de 1963 foi elaborado o Plano Nacional de Alfabetização, visando alfabetizar cinco milhões de jovens e adultos em dois anos. O PNA teve início no Estado do Rio de Janeiro, mas foi interrompido logo após o golpe militar de 1964.
 

 Prof. Osmar Fávero - Universidade Federal Fluminense - UFF

Apresentação

Da vasta obra de Paulo Freire, no Brasil e no exterior, foram selecionados apenas os materiais relativos aos “primeiros tempos”, relacionados às experiências iniciais de alfabetização e educação de adultos, a saber: os textos de fundamentação sobre o sistema de alfabetização, elaborados pela equipe do SEC - Serviço de Extensão Cultural da então Universidade do Recife, publicados em Estudos Universitários, Revista de Cultura dessa universidade n. 4, abril-junho 1963; o dossier das experiências de Angicos e de Brasília, ambas realizadas em 1963, e o Programa Nacional de Alfabetização (PNA), iniciado nos primeiros meses de 1964, na Baixada Fluminense, e suspenso pelo golpe militar, a partir de 31 de março do mesmo ano. As pastas deste módulo foram organizadas com os referidos materiais, na ordem acima.

Esse período está apresentado no artigo de Osmar Fávero, “Paulo Freire: primeiros tempos”, reproduzido do livro Paulo Freire: a práxis político pedagógico do educador, organizado por Silvana Ventorin, Marlene de Fátima C. Pires e Edna Castro de Oliveira (Vitória: EdUFES, 2000). A concepção de Paulo Freire sobre a educação de adultos está contida em seu livro Educação como prática da liberdade (Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1ª ed. 1967), que traz em apêndice a explicação das fichas de cultura e do processo de alfabetização propriamente dito. Por sua vez, a experiência de Angicos encontra-se inteiramente registrada e comentada no diário elaborado por Carlos Lyra e publicado sob o título As quarenta horas de Angicos: uma experiência pioneira de educação (São Paulo: Cortez Ed., 1996). Em outra perspectiva, está também historiada por Calazans Fernandes e Antonia Terra, em 40 horas de esperança; o método Paulo Freire: política e pedagogia na experiência de Angicos (São Paulo: Ed. Ática, 1994).

A repercussão da experiência de Angicos foi enorme, sobretudo pelo caráter inovador do “sistema de alfabetização”, com forte conteúdo político-ideológico, e pela rapidez com que conseguia alfabetizar (40 horas). A cerimônia de encerramento da experiência, em abril de 1963, e a reportagem de Antonio Callado, no Jornal do Brasil, em janeiro de 1964 dão uma idéia desta repercussão. Seu êxito impulsionou experiências semelhantes em vários estados, numa verdadeira escalada, dando origem ao PNA, proposto pelo MEC. Sob coordenação de Paulo Freire e aplicando seu “sistema”, deveriam ser alfabetizados cinco milhões de jovens e adultos, em dois anos. A experiência inicial do PNA, iniciada na Baixada Fluminense no início de 1964, foi desmontada nos primeiros dias do golpe militar de abril do mesmo ano e todo seu material confiscado pelos militares. O projeto de implantação em Sergipe, segunda área-piloto, não chegou a ser iniciado.

Para a experiência na Baixada Fluminense, as fichas de cultura foram elaboradas por Francisco Brennand, famoso ceramista do Recife, constituindo-se em uma obra de arte. Os 116 slides contendo estas fichas e as situações de aprendizagem que introduzem as palavras geradoras, o desdobramento delas e a formação de novas palavras e pequenas frases, foram encontrados após ficarem 30 anos guardados numa geladeira, em Natal. Apesar do cuidadoso trabalho de recuperação, parte do material apresenta o desgaste natural do tempo e das más condições de sua conservação.

A análise mais bem documentada e melhor realizada desses “primeiros tempos” de Paulo Freire está contida no livro de Celso de Rui Beisiegel, Política e educação popular; a teoria e a prática de Paulo Freire no Brasil (São Paulo: Ática, 1982; Coleção Ensaios, 85; 4. ed., Brasília: Liber Livro, 2008). Vanilda Pereira Paiva, em História da educação popular no Brasil (São Paulo: Loyola, 6a ed. 2003), narra com detalhes a montagem do PNA e em Paulo Freire e o nacionalismo-desenvolvimentista (Rio de Janeiro, Civilização Brasileira; Fortaleza: Ed. UFC, 1980) também explora, sob uma perspectiva crítica, estes primeiros tempos”.

Experiência de Angicos

       Diapositivos         Fotos Textos

A repercussão da experiência de Angicos foi enorme, sobretudo pelo caráter inovador do “sistema de alfabetização”, com forte conteúdo político-ideológico, e pela rapidez com que conseguia alfabetizar (40 horas). A cerimônia de encerramento da experiência, em abril de 1963, e a reportagem de Antonio Callado, no Jornal do Brasil, em janeiro de 1964 dão uma idéia desta repercussão. Seu êxito impulsionou experiências semelhantes em vários estados, numa verdadeira escalada, dando origem ao PNA, proposto pelo MEC.

Do material didático do “método de alfabetização”, sistematizado em 1962/1963 por Paulo Freire, foram reproduzidos os esquemas originais elaborados no SEC – Serviço de Extensão Cultural da então Universidade do Recife, para a experiência de Angicos. A série de slides utilizada nesta experiência, embora não esteja completa, é original. Os documentos relativos à experiência (levantamento do universo vocabular, pesquisa sobre o perfil dos alunos etc.) são cópias dos originais do diário de campo elaborado por Carlos Lyra, na sua maioria reproduzidos em seu livro As 40 horas de Angicos.

Vídeos

"Angicos: uma experiência política" -  Paolo Vittoria

Entrevista com Marcos José de Castro Guerra, sobre a experiência de 40 horas em Angicos (1962) desenvolvida com sistema de alfabetização de Paulo Freire.

Duração: 44´52´´

Local e Data: Natal/RN, em dezembro de 2005.

As Quarenta Horas de Angicos

O filme trata da prática educativa sistematizada por Paulo Freire em 1963, na cidade de Angicos, Rio Grande do Norte. O sucesso dessa experiência, alfabetizando 300 pessoas em 40 horas, e a vitalidade dos movimentos sociais no período, especialmente estudantil, provocou a escalada do sistema em todo o país.

Em fins de 1963 foi elaborado o Plano Nacional de Alfabetização, visando alfabetizar cinco milhões de jovens e adultos em dois anos. O PNA teve início no Estado do Rio de Janeiro, mas foi interrompido logo após o golpe militar de 1964.

Disponível em duas partes:

 

Experiência de Brasília

Círculo de Cultura do Gama

Diafilme

Método Paulo Freire
Lauro de Oliveria Lima
Brasília
Vera Barreto

Livros

Educação como prática da liberdade
resenha
l íntegra
Paulo Freire - 1ª edição

Educação como prática da liberdade
Paulo Freire - 19ª edição

 

Resenha: Paulo Freire e
o nacionalismo desenvolvimentista

Vanilda Paiva

Política e Educação Popular: 
resenha I
capa e contracapa da 4ª edição
Celso Beisiegel

Resenha: 40 horas de esperança
Calazans Fernandes e Antônia Terra

As quarenta horas de Angicos: uma experiência pioneira de educação
resenha I íntegra
Carlos Lyra

 

Paulo Freire - Fichas de Cultura

Desenhos originais das Fichas de Cultura - Francisco Brennand

Francisco Brennand - Recife, PE 1927
"Porco, [da série] desenhos para Paulo Freire", 1963
Nanquim sobre papel, 17 x 24 cm
Fotógrafo: Celso Pereira Jr.
imagem
Francisco Brennand - Recife, PE 1927
"Porco, [da série] desenhos para Paulo Freire", 1963
Nanquim sobre papel, 17 x 24 cm
Fotógrafo: Celso Pereira Jr.
imagem
   
Francisco Brennand - Recife, PE 1927
"Porco, [da série] desenhos para Paulo Freire", 1963
Nanquim sobre papel, 17 x 24 cm
Fotógrafo: Celso Pereira Jr.
imagem
Francisco Brennand - Recife, PE 1927
"Porco e cabrito, [da série] Desenhos para Paulo Freire", 1963
Nanquim sobre papel, 16 x 25 cm
Fotógrafo: Celso Pereira Jr.
imagem
   
Francisco Brennand - Recife, PE 1927
"Gaúcho, [da série] Desenhos para Paulo Freire", 1963
Nanquim sobre papel, 27 x 18 cm
Fotógrafo: Celso Pereira Jr.
imagem
Francisco Brennand - Recife, PE 1927
"Paulo Freire, [da série] Paulo Freire", 1963
Nanquim e guache, 33 x 24 cm
Fotógrafo: Celso Pereira Jr.
imagem
   
Francisco Brennand - Recife, PE 1927
"Paulo Freire, [da série] Paulo Freire", 1963
Nanquim e guache, 24 x 33 cm
Fotógrafo: Celso Pereira Jr.
imagem
Francisco Brennand  - Recife, PE 1927
"Paulo Freire, [da série] Paulo Freire", 1963
Nanquim e guache, 33 x 24 cm
Fotógrafo: Celso Pereira Jr.
imagem
   
Francisco Brennand - Recife, PE 1927
"Paulo Freire, [da série] Paulo Freire", 1963
Nanquim e guache, 24 x 33 cm
Fotógrafo: Celso Pereira Jr.
imagem
Francisco Brennand - Recife, PE 1927
"Paulo Freire, [da série] Paulo Freire", 1963
Nanquim e guache, 24 x 33 cm
Fotógrafo: Celso Pereira Jr.
imagem